Balanceamento de Linha de Produção: Você sabe por onde começar?

É natural que o Engenheiro, independentemente de sua área de atuação, tenha que em algum momento da sua carreira, passar pelo processo fabril de determinada indústria e compreendê-lo.

O famoso “chão de fábrica” é o verdadeiro lugar onde as coisas acontecem e os problemas podem ser encontrados e a partir daí desenvolver melhorias dos seus processos, que não serão resolvidos sendo analisados simplesmente em uma mesa de escritório.

Toda empresa hoje busca otimizar seus recursos para se manter de forma competitiva no mercado e aumentar seus lucros.


Quando falamos em otimização, é recorrente pensarmos que seja algo demasiadamente complexo e de difícil aplicação, não é mesmo?


No entanto, uma simples organização pode ser estratégia capaz de acelerar a produtividade industrial de forma a tonar-se uma produção inteligente.

As linhas de produção precisam trabalhar de maneira ordenada à ponto de produzir na quantidade esperada, horário definido e entregar ao cliente final no prazo estabelecido.

Um assunto fundamental no que diz respeito à organização das linhas de produção se refere ao Balanceamento de Linha.


Mas afinal, o que é esse tal de balanceamento?


O balanceamento de linha é um método criado para desenvolver uma dinâmica eficaz que garanta que a produção seja realizada de forma ininterrupta e equilibrada evitando desperdícios, muitas vezes gerados por ociosidade ou estoques desnecessários.

“A ideia do balanceamento de linha é reduzir com o famoso gargalo, que é o ponto onde, por algumas razões, a linha de produção trava e as tarefas deixam de fluir como era esperado.”

A linha de produção é o coração de uma indústria, portanto, a eficiência é alcançada quando tudo acontece conforme planejado em sua totalidade.


Então como posso otimizar uma linha de maneira simples, através do seu balanceamento?


Um dos conceitos introdutórios para se alcançar o balanceamento de uma linha produtiva é o tempo de ciclo. Esse tempo é basicamente o período que uma linha de produção demora para entregar um item, ou seja, ele expressa a frequência com que um produto deve sair de uma linha.


“Matematicamente, o tempo de ciclo mínimo será igual ao tempo necessário para execução da tarefa individual mais demorada e o tempo de ciclo máximo será a soma dos tempos de todas as tarefas.”


Tá, mas... fala minha língua agora...


Imagine que você é Engenheiro Mecânico de uma multinacional do ramo automobilístico e estando responsável por determinada linha de produção onde o trabalho flui de uma estação de trabalho para a outra, uma de suas tarefas é analisar o quão eficiente a linha está produzindo. De início, revisou alguns conceitos e realizou um estudo de tempos cronometrando a duração que os 5 operadores levavam para realizar suas atividades:

Analisando os tempos, ficou fácil notar que a tarefa mais longa dura 50 segundos, ou seja, este é o tempo de ciclo mínimo para esta linha de produção. Já o tempo de ciclo máximo para a montagem final do produto seria a soma de todas as tarefas individuais dos operadores da linha, que é igual a 127 segundos (2,12 minutos). Percebe-se que, se o tempo de maior duração é o da tarefa realizada pelo operador 3 e os demais operadores apresentam tarefas com tempo abaixo de 50 segundos, acarretará em uma ociosidade por parte dos operadores 1, 2 ,4 e 5, promovendo uma linha desbalanceada, elevando os custos do produto por falta de aproveitamento da mão-de-obra, tornando uma produção não eficiente.

Neste caso, é possível otimizar a produtividade desta linha de montagem fazendo um agrupamento das atividades 1 e 2 em um único posto de trabalho e com apenas um operador, da mesma forma as atividades 4 e 5, tendo em vista que isto não vai comprometer no desempenho da linha, pois o tempo da tarefa de maior duração não é excedido.


Além do mais, o agrupamento dessas tarefas promove à linha um bom nível de balanceamento por apresentar fluxo suave e contínuo, com trabalhadores executando suas tarefas no mesmo ritmo e menor tempo ocioso. Desta forma pode-se obter maior grau possível de aproveitamento de mão-de-obra e equipamentos.


O balanceamento é passo importante e decisivo para o bom funcionamento fabril. A partir dele é necessário alocar recursos de forma inteligente para obter uma distribuição adequada das atividades aos operadores. É papel do engenheiro garantir a confiabilidade desses processos, propondo que o sistema produtivo seja melhor, com menos custos e mais ágil.


Transformar uma linha de produção em um sistema contínuo, otimizado e equilibrado seria um sonho não é mesmo?

Agora você já sabe por onde começar!






Referências:


Martins et. al, Administração da Produção. São Paulo: Saraiva, 5ª Ed., 2005.

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